
A sensibilidade é o sentimento que nos acompanha desde o nascimento. Quando a gente deixa a porta aberta para que ela entre, as coisas fluem melhor. Quando a gente coloca barreiras, ela escorre pelos cantos, afirmando que sempre acha brecha para nos achar. Como alguém que um dia sai muito duro de casa para as funções que são do seu caminho, com a certeza de nada abalará naquele dia, até que uma cena acontece na sua frente, ou até que um aroma chegue as suas narinas e te leve para um lugar onde a sua sensibilidade existe. Sensibilidade e memória são divindades que são bem presentes dentro da lunação de câncer. A sensibilidade quando vivida e com espaço para descanso, aparece nos momentos mais oportunos da vida. Não digo que seja fácil, já que, sensibilidade e memória são duas divindades em que temos de ter um respeito, segurar junto do peito como quem diz; acolho, mas sei que não lhe controlo.
A sensibilidade não pode existir em um quarto de hóspedes, como quem faz passagem. Ela é moradora da casa, tem chave, com segredo especial para acessar os comodos da sua vida. Não se engane. Ela precisa de ao menos um quarto, com uma cama confortável para que ao fim do dia, as coisas que você não pode ser, te encontrem. Porque há durezas, há compromissos que nos afastam um pouco dessa sensibilidade, ao menos durante o dia. Assim, como um compromisso lhe tira de sua casa e você volta, a sensibilidade é essa senhora com um espelho cheio de conchinhas, salvaguardando sua identidade primordial. A lua nova em câncer, acontece como a possibilidade de deixar uma espécie de sol poente brilhar no seu corpo. O sol poente, é a fluidez do que precisa se encerrar, diante das experiências que lhe constituram. As vezes, a gente precisa cessar a busca e deixar que aquilo que estamos buscando, nos encontre em algum tempo. Talvez o tempo propício; kairós. Essa é a chance de enxergar uma nova vida, com mais afago, abrindo espaço para que sua sensibilidade nao seja andarilha e apareça apenas nas tragédias da vida, mas também no seu jeito de habitar nesse mundo.
Não a trate como um filho que saiu de casa e você mudou o segredo da chave do portão. A sensibilidade não é filha de ninguém. Ela é Mãe, tem todos os segredos do mundo e sabe chegar com a magia necessária para cada situação. Uma lua nova em câncer, abrindo uma nova maneira de você conviver com ela, sem que seja no lugar de tragédia pessoal. Conviver com ela em uma mesa posta, em uma palavra de afago que chega de quem apenas lhe escuta. Arrume sua casa para uma nova etapa da vida, depois dessa imensa curva. E ah, a propósito; nas curvas, nós desaceleramos. Pressa? Acho melhor não…
Lua nova em câncer, 14 de julho as 06:43 – Lunação canceriana.
Marcelle, Papo de Saturno
