Memória é senhora – Mercúrio retrógrado em câncer e o anúncio da lunação de câncer

Imagem acima do livro ” O peso do pássaro morto”

há coisas que não podemos ter de volta, senão pela memória. esses dias coloquei um cebola dentro de uma bolsa minha, porque lembrei que como minha avó era merendeira escolar, quando sobrava alimentos que não podiam ser reutilizados na mereda do dia seguinte, ela trazia para casa. 99% das vezes a nossa janta, era a merenda que ela mesmo fez na escola para as crianças, inclusive eu comia porque era aluna pela manhã e ajudante dela de tarde – eu tinha de esperar ela pra vir embora. cresci entre estudar e ajudar a limpar as mesas, os banheiros. nosso perfume principal era o sapólio. cresci gostando de tudo. maxixe? gosto. jiló? gosto. quiabo? gosto. eu não desgoto de nada. e se eu não como, talvez seja só porque seja interdito do meu orixá. só por isso também. hm…e aquela farofa de cenoura com carne picadinha? e o dia que ela encrecou porque queriam servir peixe com maionese tudo junto e ela disse que seria perigoso? fez um verdadeiro motim, até que a vontade dela fosse feita. leonina, mas com muito virgem; que causa que fosse feita? proteger as crianças de possíveis espinhas, já que, a cozinha era majoritariamente de senhoras que não enxergavam muito bem. 1997, por ai…e eu ficava lá batendo cenoura naquela máquina que picotava quadradinho e eu tinha apenas 7 ou quase 8 anos de idade. então esses dias, coloquei cebola na bolsa pra sentir como era ter uma bolsa com cheiro de cebola e assim lembrar das 17:45 de todo dia, quando o expediente terminava e a gente ia andando pra casa, uns 10 minutos, enquanto tentava atravessar aquelas vias. lembrei daquela toalhinha soada no ombro dela e aquele óculos caindo pelo nariz e aquele cheiro de suor (de vó). memória. coisa absurda essa senhora. existe quer você queira, quer não. te lelmbra, te rasga, te acolhe, te deixa nu diante de algumas certezas “de um futuro”. existe antes de tudo. não conseguriás frear. e quem tenta frear, racionaliza, reage aos acontecimentos de hoje, com novos personagens, que na verdade são memórias que as vezes tentam te lembrar amores e dores do passado.

mercúrio quando está retrógrado em câncer nos enche de detalhes. nos lembra sobre familia, nos leva há um tempo em que éramos felizes e até achavamos que precisavamos de mais. hoje que você tem esse mais, está feliz? pergunta sincera. está? daria de tudo para ter aquela fatias de maça cortadas fininho. até hoje todo corte meu é fininho. no açougue, na hora de cortar o salame, em tudo tem a presença da minha avó, no jeito que ela me ensinou e talvez nem quisesse me ensinar. educou-me com a alma dos mais simples. por isso, abomino excesso. eu não quero saber. não me interessa. nego. passo. não e não. suavidade para acolher o que a memória comunicar. se você perdeu porque a morte levou, a memória vai te lembrar. vai encher seus olhos de mar. vai te ensinar um rezo, vai te contar uma história para que lembre dos detalhes disso que você devolveu a terra. esse corpo que voce precisou enterrar.

mas se você perdeu porque esqueceu que tudo de mais bonito de fato é mais simples e não excessivo, é esse o ensinamento; crescer para fora é facil. amadurecer dentro é mais dificil. as vezes é preciso perder a composutra, pelo sentimento. que se mantém sentado a cadeira enquanto toda uma maioria senta ao chão, de fato, esqueceu o chão. se quer ficar no alto, fique. mas não encrenque quando o assunto for chão. falta de presença, dá nisso ~desconexão. memória é senhora e ela sempre te convida a voltar. aceite o convite.​

mercúrio está retrógrado em câncer até 23 de julho, a lua mingua por touro até sexta feira, depois ingressa em gemeos minguando balsamicamente até chegar em sua fase nova no dia 14 de julho em câncer. preparados para viver a lunação de câncer com mercúrio retrógrado neste signo? espero que sim <3

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Marcelle, Papo de Saturno

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