ainda permito que o pisca pisca continue a piscar na janela, como os dias de festividade natalina. ainda permito me manter em um monte de coisa que eu ainda quero reencenar encanto e talvez, seja essa uma das coisas mais bonitas da vida; enquanto o mundo estipular o tempo de celebrar, você estender essa celebração pra pequenos momentos da sua vida. a alegria não está contida apenas no momento que se abre a melhor refeição pra comemorar datas em que nem se acredita-se muito, mas, no ânimo de unir a potência de uma expectativa qualquer e celebrar muitas coisas mesmo elas sendo pequenos detalhes da vida.
há sorte pra cada dia, e, acredito que eu, há muitas sortes pelo mundo. a sorte de conseguir acordar bem, depois de um dia anterior horrível, angustiante. a gente quase nunca lembra quando a dor foi embora. como naquele dia em que eu estava com uma enxaqueca que não passava nunca. no dia em que acordei sem essa dor, a consciência de não estar com dor, fez com que a alegria, a felicidade, a sorte de estar livre daquele peso na cabeça, se torneada refeição mais bem feita do dia; um prato cheio de possibilidades nas quais eu nem sabia que podia me alegrar sem aquela dor.
como um dia que você queria ter saúde pra terminar algo e passa a ter consciência de que tem certas sortes que vem disfarçadas. um dia comum. uma comida fresca sobre a mesma. a água quentinha com a lavagem dos cabelos e o perfume daquele sabonete daquela marca de bebê que traz memória afetiva de um cuidado que talvez nem tenhamos recebido tanto. tudo isso, é cuidado. o cheiro do amaciante tocado pelo vento que sem querer, acaba perfumando sua casa com o cuidado que você teve com suas roupas. o sol caidno na sala, o vento que entra e refresca você em algum cômodo da casa. estar vivo e vacinado depois de tempos sombrios que ameçam a volta de uma pandemia que, muito possivelmente lhe ensinou o que é importante. não se esqueça.
as vezes ansiamos muito que esse cuidado chegue pelos outros ou que se lembrem de nossa dor. que se lembrem de quem somos. mas esse é o tempo que lhe convido a pequenos prazeres e talvez, essa seja a sorte do ano. do século. da sua vida. aqueles que estão conscientes sobre a sorte de um dia comum, sem exagero de trilhoes ganhos pelo trigrinho ou um sorteio de um carro no qual o ipva você não consegue pagar, quiçá o seguro.
seja feliz, na caída de cada gota de água que abraça você. apague as luzes, feche a porta do banheiro. ascenda uma luz de vela, peça que a água lhe renove. é bem simples o cuidado. mas as vezes pode não ser simples também, porque o cuidado exige na maioria das vezes, presença. especialmente a sua presença na sua vida sem ficar dando muito atenção a ausências.
o verbo é cuidar.
Marcelle, Papo de Saturno
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